22 de set de 2009

Em nome do debate?

Muitos debates tem pipocado cada vez mais por todo o lado.
Debates de todo tipo, o importante é debater.

Todo mundo "apóia" o "livre debate" de "idéias", porque soa tão politicamente correto que se alguém se recusa a entrar nesse joguinho fútil de idéias parciais, imediatamente já é tido como o lado errado da polêmica em questão.

Só que as polêmicas só chegam a ser tão turbulentas, porque de alguma forma mexem em pontos que se confundem com a própria identidade de um grupo razoavel de pessoas.

Esse é o caminho que faz o pensamento torto e inconsciente dos grupos que se reúnem ao redor de uma discussão: "Meus valores são meu eu, questione um deles e você estará questionando a minha própria formação. E isso me ofende profundamente".

Assim se faz com que o lado conservador parta pra cima de qualquer um que tenha a ousadia de sugerir mudanças, com uma fúria tão voraz que o tal "debate livre de idéias" na verdade vira só um nome para a versão moderna de apedrejamento em praça pública.

Logo o outro lado não deixa por menos, e começa a rebater na mesma moeda.

Assim temos dois lados, cuspindo insultos ou fatos distorcidos disfarçados de idéias. E a mídia (Fox News e Globo adoram) aplaudindo, transmitindo em cadeia nacional e transformando cada xingamento em ponto no ibope.

Se era pra ser assim, valia mais reprisar o filme novo do Steven Seagal.

2 comentários:

Anônimo disse...

Quero dizer que você está no caminho certo em suas discussões, ou sugestòes de polêmicas. concordo quando diz que as pessoas não conseguem conversar, expondo suas opiniões e não se sentir ofendida com a opinião diferente.
Nós Humanos temos a concepção arcaica de que a maioria tem razão. Isto é a maior mentira que se pode dizer. Mas isto determina a democracia. Então como ficamos? Há muito que se pensar... Os descontentes muitas vezes são os únicos que não cederam à cegueira imposta.

errosprimarios.blogspot disse...

Não acho que um debate seja ruim por definição.
Os pontos críticos são os seguintes:

1) Quem é escolhido para debater
2) O tom do debate
3) A quem o debate é dirigido

O primeiro ponto porque num tema como o aborto, por exemplo, freqüentemente chamam um padre para debater. O que um padre tem a dizer sobre aborto?! As únicas pessoas aptas a debater sobre um tema são as que tem um conhecimento profundo e uma vivência prática no assunto... não um bando de palpiteiros.

O que leva ao segundo ponto: os palpiteiros quando vão debater, como não têm o conhecimento nem experiência para embasar o argumento, acabam apelando para argumentos sentimentalóides. O que faz com que o rumo da conversa passe a ir por caminhos de insultos e radicalismos.

E o terceiro ponto se dá porque o debate de certos assuntos é extremamente técnico. Como "células tronco", por exemplo, ou o evolucionismo. É insanidade querer "formar uma opinião" ou "esclarecer a população" sobre assuntos aonde se requer um conhecimento extremamente aprofundado antes de se pensar em emitir uma opinião sobre ele.

Considerados estes 3 pontos aí sim acho que o debate pode começar a ser benéfico.

É isso, obrigado por comentar.

Abraço

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